Thursday, November 05, 2009

Sabes António,

não foi um dia fácil. Foi difícil. Muito. Foi porque não conseguia lidar com. Nem com as lágrimas que só vinham e faziam dos meus olhos verdadeiras poças. Nem com as memórias. Toda eu era pranto.

Ele ficou, não foi nesse dia como era costume. Eu? Estava nervosa. Apavorada. Pensar que tudo aquilo que somos está exposto perante todos os que importam e os que não importam também... assusta.

Não choro assim. Só à frente de quem me dá essa segurança, mas, ali, foi inevitável.

Sabes António – e podia chamar-te de outra forma, mas não quero, porque prefiro guardar-te assim só em mim – espero que tenhas orgulho do que deixaste. Fizeste alguém de ouro. Eu sei que tens, eu sei que não me apareces do nada. Eu sei que esta ligação se explica e eu explico, como sempre, pelos olhos do amor. De quem te ama, te idolatra. Irreversivelmente. Para além da morte.